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December 05, 2006
Sporting - Benfica
O que se pode começar por dizer é que Fernando Santos soube montar um esquema táctivo que fragilizou as opções de Paulo Bento.
O losango que tantas dores de cabeça tem dado aos benfiquistas acabou por funcionar face à inoperância atacante dos sportinguistas, ávidos de um regresso de Liedson às boas exibições, mas sobretudo aos golos.
Paulo Bento optou pela rotatividade, uma vez mais. Há quem lhe chame surpresa, há quem lhe chame opções. O que é certo e misterioso ao mesmo tempo, é o facto de "Pipi" Romagnoli, ao fim de quase um ano em Portugal, ainda não ter arracado uma única exibição que tivesse ficado na retina dos mais atentos, e o último jogo de Alvalade é mais uma vez prova disso.
Outro dos factores interessantes de analisar no futebol do Sporting é a constante mudança de peças no terreno que existe quase sempre ao intervalo. Se por um lado, pode servir de motivação, por outro, o resultado pode não ser o esperado e é a maneira mais fácil de "queimar" jogadores.
O Sporting apresentou-se com o seu esquema defensivo habitual, onde um ex-extremo Tello começa a servir razoavelmente como defesa. No entanto, a sua ausência na marcação do segundo golo do Benfica mostra dois aspectos:
- Foi ele que marcou o canto e não conseguiu recuperar defensivamente
- A pessoa mais indicada para essa marcação não poderia ser Custódio
No meio-campo, Paulo Bento optou por um pivot defensivo (Custódio), dois médios de transição que funcionavam na interior direita (Moutinho) e na interior esquerda (Nani) e um médio de características atacantes (Romagnoli) que ficava incumbido de distribuir jogo e arrancar desiquilíbrios.
Na frente, Liedson andava solto deambulando pelas alas e Bueno ficava fixo aos centrais.
Fernando Santos não provocou nenhuma surpresa. Apenas quando o Benfica entrou em campo e se colocou rapidamente a vencer, a alteração táctica com a troca de Simão por Nuno Gomes provocou os resultados esperados: a vitória!
Na baliza, Quim continuou a titular, apesar de algumas intermitências esta época.
Na defesa, com o regresso de Luisão, Anderson foi para o banco, ficando Ricardo Rocha incubido das sobras, acompanhado nas laterais por Nélson e Leo.
O meio-campo foi constituído por Petit (pivot defensivo, vulgo "trinco"), Katsouranis (interior direito), Nuno Assis (interior esquerdo) e Simão (nº10 pronto a desiquilibrar com movimentos comuns para a direita ou para a esquerda). Na frente, Nuno Gomes e Miccoli, com o português a ter liberdade criadora e o italiano a fazer trocas posicionais.
Com o começo da partida, foi notório que os lados utilizados para atacar seriam os direitos por várias razões:
- No caso do Sporting, Miguel Garcia e Moutinho (muitas vezes apoiados por Liedson) tentavam explorar a fragilidade física de Leo e a pouca cobertura defensiva de Nuno Assis
- No caso do Benfica, Nélson é dono e senhor do lado direito, já que Katsouranis ou Petit conseguem fazer a cobertura do flanco para o cabo-verdiano atacar um flanco guarnecido por Tello, ao qual faltam rotinas de marcação, acções defensivas e o pouco apoio de Nani
O golo apontado por Ricardo Rocha logo aos 3 minutos é prova disso. um ataque de Nélson pela direita, com respectivo cruzamento e cabeceamento de Nuno Gomes ao segundo poste para defesa de Ricardo para canto. Na marcação do mesmo, Ricardo Rocha antecipou-se a Polga e fez o primeiro golo dos encarnados.
A partir daí, o Sporting começou a actuar de forma pressionante, mas com pouca definição de ideias. Nuno Assis marcava de forma inapelável João Moutinho, Romagnoli não se libertava de Katsouranis e Nélson conseguia secar Nani. O verdadeiro motor de ataque do Sporting chamava-se Miguel Garcia, que aproveitava para subir no terreno e conquistar cantos atrás de cantos.
Sem criar perigo nos lances de bola parada, o Sporting acaba por sofrer o segundo golo num contra-ataque proveniente da marcação de um canto apontado por Tello. O Benfica aproveita o contra-ataque e Simão, marca o segundo golo e sentencia o jogo.
No início da segunda parte, Paulo Bento opta por dois jogadores que provavelmente dariam um maior ímepto ao futebol dos leões: Carlos Martins e Yannick Djaló. E assim foi, durante os segundos 25 minutos, com o Sporting a pressionar e o Benfica em contenção defensiva, pronto a explorar o contra-ataque.
A saída de Miccoli fez com que o Benfica passasse a actuar em 4-3-3, com Paulo Jorge e Simão nas alas e Nuno Gomes solto na frente de ataque.
O Sporting desesperava e nem com três atacantes conseguia arranjar soluções para furar o esquema defensivo do Benfica, já que Petit começava a funcionar como terceiro central, cabendo a Katsouranis o papel de transição defesa-ataque, bem suportado por Nuno Assis.
Com a expulsão de Polga, o Benfica tinha encontrado motivos para sorrir ainda mais, mas a expulsão infantil de Nuno Gomes equilibrou novamente as contas.
No final, Djaló ainda possibilitou a Quim uma defesa fantástica, que assegurou a vitória do Benfica, dando-lhe alguma tranquilidade.
Foi uma vitória táctica de Fernando Santos, que soube aproveitar as virtudes do losango por si criado e observou as deficiências do sistema de Paulo Bento, que não é perfeito (nada o é), e que precisa de alguns retoques importantes na transição defesa-ataque.
Todas as fotos foram retiradas de Gettyimages.
Publicado por Danielovsky às December 5, 2006 05:26 PM