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October 30, 2006
Os equívocos
Fernando Santos e Jesualdo Ferreira deram ontem mostras de virtuosa teimosia no clássico do Dragão.
Apostando no seu típico 4x3x3, o FC Porto continua refém da liberdade genial de Anderson e Ricardo Quaresma. O português numa das alas, o brasileiro a assumir-se como nº10.
Com a entrada de Paulo Assunção para o papel de pivot defensivo, Jesualdo Ferreira pretendia dar alguma liberdade a Lucho Gonzalez e a Anderson. Lisandro e Postiga vagueavam no ataque, mas com o português a assumir naturalmente o papel de nº9.
No Benfica, Fernando Santos apostou num Benfica com dois avançados (Nuno Gomes mais móvel que Kikin), dois extremos (Simão na esquerda e Paulo Jorge na direita) e dois médios de contenção defensiva (Petit e Katsouranis). Com um meio-campo muito de combate e com pouca propensão defensiva da parte de Nuno Gomes, a liberdade era muito maior para os jogadores do FC Porto do que do Benfica.
Foi com essa naturalidade que o FC Porto conseguiu dois golos em 20 minutos, mercê de uma pressão alta e da genialidade dos jogadores acima referidos. A lesão de Anderson e a entrada de Raul Meireles serviu acima de tudo num sentido de contenção defensiva e segurança no resultado.
Assim, e com Raul Meireles um pouco perdido em campo, o Benfica começou a soltar-se do início demolidor do FC Porto e executou dois remates perigosos à baliza de Helton, que correspondeu com duas defesas difíceis.
O golo de Katsouranis no início da segunda parte veio dar mais consistência a esse sentido perdido de Meireles, coadjuvado pela entrada de Nuno Assis e Mantorras. Com a entrada do angolano, o Benfica ganhou a criatividade que Fonseca não teve e com Assis a combatitividade que Paulo Jorge não transmitiu.
Não foi de espantar, que com a saída de Quaresma (a outra fonte criativa do dragão), o FC Porto perdeu todo o seu fulgor, já que Lucho anda arredado da melhor forma da época passada.
O Benfica empatou numa jogada simples e consentida na zona central do meio-campo defensivo azul, e por isso mesmo, o excesso de jogadores naquela zona foi crucial.
O FC Porto no final do jogo aumentou ligeiramente a pressão e num lance de insistência, apontou o terceiro golo por Bruno Moraes. Culpa dos centrais benfiquistas que não foram lestos a afastar a bola.
Em conclusão, o que se constata é que o FC Porto vive demasiado do futebol de Anderson, bem como da inspiração de Quaresma. O Benfica vive dos equívocos e das experiências de Fernando Santos, bem como do futebol de Simão e da acção defensiva, que tem sido pouco mais de regular.
Não há resultados justos ou injustos para o jogo de sábado. Há apenas o resultado: 3-2!
Publicado por Danielovsky às October 30, 2006 02:23 PM