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September 25, 2006
O 4x4x2
José Mourinho tenta a algum custo, assentar o 4x4x2, para conseguir ter ao mesmo tempo Didier Drogba e Andrey Shevchenko na mesma equipa. O esquema montado por Mourinho no último fim-de-semana com vista ao rival de sempre (Fulham) assentava no 4x4x2 em losango, com a presença de Robben e Essien como médios mais interiores, Makelélé na posição de pivot defensivo e Lampard a assegurar a missão de organizador de jogo. A defesa foi modificada, assegurando a presença de Paulo Ferreira na posição de central, devido à lesão de Terry no aquecimento.
Na frente, Drogba e Shevchenko iam tentando alvejar as redes de Niemi.
O meio-campo foi sempre o problema do Chelsea, que apesar de exercer algum domínio e uma estonteante percentagem de posse de bola, não conseguia criar oportunidades de golo para os seus avançados.
E aí reside o principal dilema da equipa "blue", que é o de começar a rentabilizar o investimento feito em Shevchenko, que ainda só marcou um golo para a Premiership e outro para a Charity Shield.
Talvez a principal razão seja o esquema táctico adoptado por Mourinho, que opta pelos dois avançados, em detrimento do 4x3x3 que tão bons resultados deu no passado.

Foto: Gettyimages
Em Milão, Shevchenko tornou-se mortífero quando bem servido por Kaká e Rui Costa, ou beneficiando do sistema táctico de Ancelotti, que apesar de ser bastante eficaz do ponto de vista defensivo, a forma de atacar padecia de uma certa dependência dos seus elementos mais criativos, como o brasileiro ou Pirlo.
A possibilidade de Mourinho alterar o sistema táctico abre a possibilidade de poder rentabilizar as peças que tem no seu Chelsea, se bem Salomon Kalou e Wright-Phillips se apresentam como os elos mais fracos. De resto, para a posição de médio centro e de organizador de jogo, a abundância e qualidade abundam, como é o caso de Ballack, Joe Cole ou mesmo Obi Mikel.
Talvez favoreça e beneficie deste esquema o ucraniano, mas também o Chelsea, procurando e tendo melhores soluções para ganhar a tão almejada Champions League.
Usando um esquema similar, o Sporting de Paulo Bento também padece de uma carência semelhante à do vizinho da Segunda Circular: a ausência de um nº10, que consiga pautar o jogo, pensá-lo e executá-lo.
Usando o mesmo sistema de losango no meio-campo, o único jogador do Sporting que é capaz de ocupar as 4 posições é João Moutinho, que aliando a técnica à sua disponibilidade física permite que Paulo Bento tenha no jogador algarvio a sua reserva para qualquer emergência.
Na posição de nº10, apenas aparecem Carlos Martins (sempre perseguido pelas lesões) e Romagnoli (intermitente como qualquer argentino que seja descendente dessa posição maldita desde o fim de Maradona).
Ultimamente, Paulo Bento tem utilizado Yannick Djaló como nº10, a tentar servir Alecsandro e Liedson, mas o jovem jogador não consegue um rendimento tão bom como aquele que seria o desejado e onde provavelmente renderia mais: como segundo avançado.

Fonte: Gettyimages
A solução do Sporting neste caso, passa sempre pela disponibilidade dos jogadores que compõem o restante meio-campo e que será a partir deles que o jogo terá de ser pensado e estruturado. Pelo menos, até as lesões e a intermitência passarem...
Publicado por Danielovsky às September 25, 2006 07:26 PM