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September 27, 2006
Benfica vs. Manchester United
A análise a este jogo vai ser fita tendo em conta as notas tiradas ontem, em pleno Estádio da Luz.
Assim sendo, o Benfica começou a jogar com Quim; Alcides, Luisão, Anderson e Leo; Petit, Karagounis e Katsouranis; Paulo Jorge, Simão e Nuno Gomes.
O Manchester United apresentou: Van Der Saar; Neville, Ferdinand, Vidic e Heinze; O'Shea, Carrick e Scholes; Ronaldo, Rooney e Saha.
Na 1ª parte:
Katsouranis funcionava como o primeiro tampão defensivo na zona central, cabendo depois a Petit e Karagounis a restante marcação. Após os primeiros dez minutos, trocou de posição com Karagounis. No entanto, o jogo do Benfica padecia de um pensador, uma vez que a quantidade de bolas pelo ar indicava uma falta clara de ideias para jogar a bola e transpô-la da defesa para o ataque. Daí, é perfeitamente plausível que as oportunidades de golo do Benfica surgissem de fora da área, com remates de Karagounis e Nuno Gomes, este beneficiando de um erro defensivo de Vidic.
Após os 20 minutos de jogo, era notório que Rooney não recuava para defender, sendo que Alcides também não atacava, uma vez que o jogo estava a ser todo ele canalizado pelo corredor esquerdo na busca da inspiração de Simão e Leo. Com este esquema ofensivo pelas alas e pelo povoamento do corredor central, a táctica do Benfica ficava sempre assente em três defesas, sempre que um dos laterais subia, o que ao mesmo tempo limitava o outro.
Ainda houve uma tentativa ténue de colocar Simão na faixa direita para aproveitar essa falha defensiva, mas assim Paulo Jorge não era capaz de suster as subidas de Gary Neville, voltando depois tudo ao normal. Outra das situações que ficou na retina é a de que Petit consegue parar muitas vezes as jogadas de ataque do Benfica, já que não consegue aproveitar as linhas de passe disponíveis para alargar o jogo pelas alas, cortando assim movimentos de rotura e variação de flancos.
Da parte inglesa, Michael Carrick, um tradicional pivot defensivo, apareceu nos primeiros minutos como 2º avançado no apoio a Saha. Ronaldo e Rooney estavam muito pegados à linha e apenas o português assumia alguma preponderância na organização de jogo. A partir dos 15 minutos foi notório que o Man Utd estava à espera de uma falha da defesa do Benfica. Rooney não defendia e Scholes, que estava incumbido de compensar o colega, também via o peso dos seus 31 anos a contar.
Para além disso, O'Shea é a nova aposta de Alex Ferguson para a posição de médio defensivo. Com um jogo muito lento e previsivel, este internacional irlandês estava a mais num meio campo muito povoado e que servia muito pouco Saha. Para além disso, o Man Utd peca pelo mesmo exemplo do Benfica quanto à organização de jogo. Ou seja, não tem um jogador capaz de pegar no jogo, pensá-lo e distribui-lo. O facto do Man Utd não ter atacado na primeira parte explica-se nos 0 cantos.
Na 2ª parte:
Foi com certa perplexidade que Manú não constava da lista de convocados, uma vez que Paulo Jorge e Simão eram os únicos com capacidade de actuarem pelas linhas. nélson também estava no banco e Miccoli também pode fazer a posição, mas o Benfica ganha mais com ele em cunha como 2º avançado para aproveitar as segundas bolas.
O golo do Man Utd surge de um remate interceptado de Petit, último pivot do eixo central do meio campo e com os laterais balanceados no ataque. Ronaldo recuperou a bola e num contra-ataque de 2 para 2, Saha flectiu para o meio e rematou com o seu melhor pé, o esquerdo. Vários erros:
- Petit não deveria ter feito o remate, porque era o último jogador
- Um dos laterais deveria estar pronto para a compensação do contra-atque
- Anderson não defendeu o meio (único local para onde Saha se poderia deslocar), para além de vir a recuar, o que possibilitou um avanço ao jogador francês
Após o golo, Fernando Santos tirou Karagounis (o único jogador a tentar pensar o jogo) para colocar Nuno Assis. A opção lógica poderia passar pela saída de Petit, o recuo de Katsouranis e a implementação de dois médios centro que pensam o jogo e que poderiam alternar na organização de jogo. A troca de Paulo Jorge por Miccoli, colocando depois Nuno Assis numa ala retirou pensamento ao jogo do Benfica, baseado no bombardeamento de bolas para jogadores com a estrutura física de Nuno Gomes e Miccoli, frente a jogadores habituados a jogar no futebol inglês. Com a entrada de Mantorras, o Benfica passou a actuar num 3x4x3, com Alcides, Luisão e Leo, um meio-campo de losango e Nuno Gomes no apoio a Mantorras e Miccoli.
Resultados práticos foram muito poucos e o resultado foi o que se viu a partir do minuto 60, altura do golo de Saha.
Rooney está claramente em baixa de forma e Ferguson não aposta em Solskjaer para fazer o lugar do inglês. O Man Utd usou a táctica de jogar no contra-ataque e conseguiu os seus intentos, possibilitando depois a Ronaldo aparecer mais solto, sem a marcação apertada de que tinha sido alvo na primeira parte.
O Manchester pode ser considerado um vencedor justo, porque a sua estratégia vingou...
Publicado por Danielovsky às September 27, 2006 11:54 PM