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September 18, 2006
Apitos
Nunca é demais revelar as boas coisas e as boas coisas podem ser lidas neste post do José Diogo Quintela no Gato Fedorento, que por sua vez faz uma ligação a um escrito da Leonor Pinhão na edição da última quinta-feira d'A Bola.
Falei da vergonha que havia em ver escutas nos jornais. Escutas que obviamente estariam em segredo de justiça e que são transcritos nos jornais, violando claramente a lei.
José Diogo Quintela fala também da vergonha que os jornais não têm ao transcreverem escutas e ao pactuarem com a situação. Leonor Pinhão dá ainda mais credibilidade à teoria dos poderosos que povoam o futebol em Portugal.
Eugénio Queirós hoje vem dizer aqui que a culpa não é dos jornalistas e que os mesmos são entendidos como os bodes expiatórios de sempre.
O problema não é serem os bodes expiatórios de sempre, mas também eles pactuarem, de forma directa ou indirecta no que actualmente se está a passar. Por isso também, os direitos que o Sindicato dos Jornalistas hoje reclama em tons de abaixo-assinado (ver Zapping) tem a sua lógica e a sua importância se o que está descrito no abaixo assinado for realmente cumprido e não encapotado, como muitas vezes é pelos jornalistas.
E depois temos o problema das carreiras profissionais e o fim da investigação jornalística de todos se queixam, mas que não fazem nada para o mudar.
O Apito Dourado é a consequência e a perfeita ilustração do que este país é: corrupção, poder concentrado, acusações mútuas sem consequência, assobios para o lado e mentira.
Por isso mesmo, os principais intervenientes têm de mudar para que realmente aquilo que pregam seja tomado em conta...
Publicado por Danielovsky às September 18, 2006 07:54 PM
Comentários
Penso que não falei em "bodes respiratórios"... O que quis dizer é que há jornalistas que fazem o seu trabalho relativamente à investigação do Apito Dourado, com todas as limitações que são fáceis de imaginar quando os assuntos tocam os grandes produtores de notícias ou eventos. É evidente também quem o faça bem, com conhecimento de causa e técnica, e quem não passe de um recoveiro mas nestas guerras é assim, nem sempre estamos na trincheira que nos parece certa... Mas adiante só para lembrar que é graças aos jornalistas que tudo que ainda está sob segredo de justiça já está cá fora a mexer com as nossas consciências. Et pour cause...
Publicado por: eugenio queiros às September 25, 2006 03:08 AM