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July 12, 2006

O Benfica de Fernando Santos

O Benfica de Fernando Santos é estruturalmente diferente do Benfica de Ronald Koeman e de Giovanni Trapattoni. Se os antigos treinadores eram adeptos fiéis do 4-3-3 e do 4-5-1 respectivamente, Fernando Santos opta por um 4-4-2, com um losango no meio-campo que tem de ser bem preenchido.

Aliás, este 4-4-2, faz lembrar um pouco a França campeã do Mundo de 1998, que jogava no 4 do meio-campo com Karembeu, Makelele, Petit e Zidane, onde o maestro francês jogava com plenos direitos e deveres de pensar o jogo. De resto, três médios de contenção defensiva, mas que ocupam o espaço ofensivo com movimentações laterais, por forma a criar desiquílibrios ou então a compensar (consoante a altura) as subidas dos laterais.

A EQUIPA:

Na baliza, a escolha parece óbvia, apesar de duvidosa. Moretto parte em vantagem perante Moreira, uma vez que foi ele que acabou a época passada e mostrou algumas qualidades que fazem com que haja alguma segurança, perante uma época totalmente em branco do jovem guarda-redes encarnado. De Quim não vale a pena falar, porque senão outros jogos de interesse se iriam levantar e neste momento, a situação de Quim está a ser resolvida com a sua saída, injusta diga-se de passagem.


Na defesa, o esquema está montado. Se não houver problemas, Nélson, Anderson e Leo serão os esteios de uma defesa comandada por Luisão. Ricardo Rocha, Alcides e Tiago Gomes serão alternativas mais do que capazes, bem como a presença de Fonte será uma mais-valia. Se a estes, juntarmos Miguelito, a defesa do Benfica será a mais forte das candidatas ao título.

O meio campo foi o sector mais reforçado do Benfica, justamente para ser possível a Fernando Santos a utilização do seu sistema. Chegaram Katsouranis, Diego e Rui Costa. Se aliarmos ainda a presença de Petit, Manuel Fernandes e Karagounis, o Benfica também dispõe de uma capacidade de escolha bastante apreciável, estando no entanto dependente de um único nº10.


A saída de Simão faz com que o Benfica fique sem nenhum extremo para poder utilizar as linhas, estando dependente das subidas dos laterais ou da inspiração ofensiva dos seus médios de apoio. Beto, Karyaka e Nuno Assis são as últimas opções claramente, apesar do empenho do brasileiro.


O ataque é outro dos bicos de obra de Fernando Santos para esta época. Com um leque de avançados reduzido em termos de qualidade, o sistema que contempla dois pontas de lança pode não ser suficiente para os objectivos a que se propõe. A aquisição de Miccoli é uma boa notícia devido à mobilidade do italiano, mas as presenças de Manduca e Marcel não inspiram a confiança necessária para uma equipa com objectivos bem elevados.


Mantorras não aguenta sequer uma meia parte e Nuno Gomes não se sabe como virá depois de um Mundial também ele injusto para o melhor marcador português do campeonato passado.


É necessário mais um avançado, mas especialmente, mais um organizador de jogo que poderia ter sido D'Alessandro. Rui Costa está com 34 anos e não aguentará uma época inteira a fazer Campeonato e Champions League com o mesmo ritmo competitivo. Serão estas talvez as maiores lacunas de um Benfica com esquema táctico novo e algo revolucionário para o Terceiro Anel da Luz.

Veremos o que o futuro espera...


Publicado por Danielovsky às July 12, 2006 11:27 PM

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