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June 30, 2006
Mundial 2006 - Os falhanços da primeira fase
Antes de mais, o esquema do sorteio do Mundial poderia prever um maior equilíbrio entre as diferentes selecções dos diferentes continentes, mas isso não aconteceu, servindo inclusive, para acentuar ainda mais as diferenças entre o continente europeu e os restantes, com excepção clara do Brasil e da Argentina.
Avaliando as selecções que poderiam fazer algo neste Mundial e que falharam, cá vão as respectivas avaliações:
GRUPO A – POLÓNIA
Estando junto ao local onde se realizava o Mundial de futebol e com algum apoio do público, esta Polónia está muito distante daquela que chegou ao 3º lugar no Mundial de 1982. A não convocação de Dudek abriu desde logo a Pawel Jenas o dom da dúvida, bem como a ausência de Saganowski, em detrimento de outros jogadores que não mostraram o seu valor.
Assentando num 4x4x2 maleável, procurando explorar as valências de Sobolewski e Smolarek, a Polónia nunca conseguiu funcionar como conjunto, beneficiando a maioria das vezes da inspiração de Boruc, para evitar males maiores.
É necessário um rejuvenescimento da escola polaca, aproveitando não só os valores emergentes, como os que jogam no estrangeiro, atribuindo alguma experiência internacional, que é o que falta claramente a esta selecção.
GRUPO B – PARAGUAI
Como diz Luís Freitas Lobo, o Paraguai sempre foi conhecido pela “Itália da América do Sul” e neste Mundial isso veio a provar-se, sendo por isso a terceira classificada do seu grupo, atrás de Inglaterra e Suécia.
Se em vez de apostar no seu sistema defensivo, apostasse na virtuosidade de Dos Santos, Santa Cruz, Cuevas e Valdez, o Paraguai talvez tivesse dado uma imagem bem mais ofensiva do que a que deixou, jogando constantemente no erro adversário para poder sair em contra-ataque, usando para isso Carlos Paredes, que de pivot defensivo excelente que é, passou para um médio de distribuição medíocre e sem ideias.
A rentabilização desta selecção paraguaia passa por um melhor aproveitamento do jogo ofensivo que consegue transmitir e que os continuados seleccionadores não deixam. Após a saída do seu melhor defesa central de sempre, é necessário também arranjar um substituto para Carlos Gamarra, de forma a encontrar a harmonia entre as transições ofensivas e defensivas, não abanando muito a estrutura.
GRUPO C – SÉRVIA E MONTENEGRO
Esta última participação da Sérvia e Montenegro traduziu-se num perfeito desconcerto entre a arte eslava que não apareceu neste Mundial. Utilizando jogadores competentes nas suas posições e com algum cartel no mercado, a Sérvia e Montenegro há-de ficar para sempre associada à maior derrota deste Mundial, na qual sucumbiu perante uma exibição perfeita da Argentina (0-6).
Calhando também no grupo mais equilibrado deste Mundial à partida, as verdadeiras provas de fogo começaram logo com a Holanda, onde um rasgo individual de Van Persie permitiu a Robben fazer o único golo da partida. Depois, quer com Milosevic, quer com Kezman, quer com Zigic, nenhum deles foi capaz de desfeitear Van der Saar, chegando a haver durante o jogo momentos de verdadeiro desconcerto a meio-campo onde nem os virtuosismos de Stankovic ou Djurdjevic ajudavam.
No encontro frente à Argentina, tudo correu mal, já que a equipa das “pampas” estava inspiradíssima e tudo lhe corria bem. Daí não é de se espantar o resultado final de 6-0 favorável aos argentinos.
O fim desta selecção foi ajudada pela Costa do Marfim, que no encontro entre ambas fez questão de mostrar que merecia ir muito mais além do que a primeira fase. Para esta selecção da Sérvia e Montenegro, que a partir de agora só se chamará Sérvia, é necessário verificar se uma selecção com grandes jogadores fará uma grande equipa. Se as dinâmicas de jogo forem parecidas com a selecção da Bulgária que brilhou em 1994, ou como a selecção da Croácia que brilhou em 1998, o assunto é fácil de resolver. Se em vez do colectivo se preferir o individual, dificilmente chegarão longe.
GRUPO D – IRÃO
A selecção do Irão é considerada a mais forte do continente asiático, batendo entre outras, a selecção do Japão e da Coreia do Sul. Com um meio campo recheado de talento (Karimi, Madhavikia, Ashemian e Zandi), a selecção iraniana não chegou para bater um México médio e um Angola fraquíssima.
Se os factores políticos interferiram no aspecto desportivo não se sabe, mas que os iranianos não conseguiram mostrar saber e vontade de ganhar, lá isso é verdade, o que fez com que o meio campo de qualidade que têm passasse despercebido, ainda por cima num país onde a maioria desses jogadores joga e com sucesso.
Ali Daei terá feito o seu último Mundial e resta a 2010 a esta geração a tarefa de proporcionar melhores momentos do que os que proporcionou na Alemanha.
GRUPO E – REPÚBLICA CHECA
Karol Bruckner é um teimoso. É a única palavra que encontro para o seleccionador checo, que após a primeira exibição de classe neste Mundial, caiu no erro de considerar Lokvenc um substituto “à altura” de Koller. Esqueceu-se das diagonais que Nedved tão bem sabe fazer e que com o trabalho de Baros e as suas movimentações poderiam abrir espaço para as entradas do médio da Juventus, como para as entradas de Rosicky, de malas aviadas para os “gunners” de Londres.
Mas Bruckner repetiu o erro e colocou Lokvenc frente a um Gana maleável no meio campo e forte na defesa em linha, anulando assim um avançado estático e preso de movimentos. O futebol que tanto tinha encantado na primeira jornada frente aos EUA não se voltaria a repetir. A ausência de Koller não é a única justificação. Poborsky, Nedved e companhia que encantaram em 1996 na Inglaterra estão a acabar e as suas substituições não irão ser fáceis.
A reformulação que a selecção checa irá fazer tem de ter em conta estes aspectos, uma vez que se a acção defensiva está tratada (Jankulovski, Hubschmann, Grygera e Ujfalusi), já a transição ofensiva irá pecar e estará muito dependente de Rosicky. O futuro o dirá…
GRUPO F – CROÁCIA
Longe dos tempos de Suker, Boban e Prosinecki, esta selecção croata vive o mesmo pecado das outras selecções eslavas do momento. Se a Rússia não se apurou, se a Polónia fez três pontos frente à Costa Rica, se a Sérvia fez 0 e se a Ucrânia não vive de Shevchenko, a Croácia, usando alguns bons jogadores, também não mostrou argumentos suficientes para passar um grupo que tinha o Brasil, mas que tinha também o Japão e a Austrália.
Se o resultado frente ao Brasil é uma casualidade, as exibições frente ao Japão e à Austrália mostraram que a selecção croata, apesar de ter bons jogadores individuais, não conseguem transformar essa mescla numa equipa que jogue verdadeiramente futebol. Srna, Pletikosa, Tudor e amigos não conseguem juntar-se e fazer a verdadeira essência do futebol, que é o de jogar em conjunto. Assim sendo, não será fácil repetir o brilharete de 1998, em França.
GRUPO G – COREIA DO SUL
Depois de terem sido levados ao colo por arbitragens vergonhosas impostas pela FIFA para poderem rentabilizar o negócio futebol no mercado asiático, os coreanos voltaram ao seu estado natural e foram eliminados na primeira fase de grupos. O futebol lento e previsível, contrastando com a rapidez que impunham em 2002 fez com que os jogadores conhecidos coreanos fossem pouco levados a sério, conseguindo o feito de fazer com que a França tivesse de fazer contas para se poder apurar.
Pouco mais há a dizer de uma selecção treinada por Dick Advocaat, que sem tendo os ovos não conseguiria fazer as omoletes que queria.
GRUPO H – TUNÍSIA
Outra das decepções da prova foi a Tunísia, que tendo sido coroada campeã africana em 2004, estava com legítimas aspirações a tentar provar esse feito. Com uma defesa baseada em Jaidi, do Bolton, e tendo em conta os naturalizados Santos e Alex, os pupilos de Roger Lemerre tinham a ideia bem estudada. No entanto, apresentaram um futebol fraco, sem ideias e com falhas defensivas claras que possibilitaram a brilhante prestação com um empate a um golo com a equipa da Arábia Saudita. Aliás, as equipas africanas, se exceptuarmos a Costa do Marfim e o Gana, foram uma perfeita decepção. Sentimos e bem a falta dos Camarões e da Nigéria.
Publicado por Danielovsky às June 30, 2006 04:43 PM